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Posts Tagged ‘Copa do Mundo no Brasil’

Nos últimos anos, temos ouvido e lido muito essa palavra, “Legado da Copa para o Brasil”, mas oque será esse legado?

Grandes avenidas? Hospitais de primeiro mundo? Novas linhas de trens e metro? Um grande projeto realizado de infraestrutura para receber a Copa do Mundo, que logo após seu termino será nosso legado?

Até o momento o legado para a Copa tem sido intervenção governamental em muitos estádios, via repasse de recursos para conclusão de obras, a exemplo disso, recentemente o Estado do Paraná concedeu mais um empréstimo R$ 39 milhões para o Atlético-PR concluir a reforma de seu Estádio.

Sem falar no Corinthians e Estádios em Estados onde o futebol é fraco ou inexistente, ou seja, temos uma soma enorme de recursos estatais que poderiam ser alocados em ações públicas, que estão sendo aportados em ações privadas.

Outra questão inquietante, esta relacionada à questão tributária, todas as empresas associadas à Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) não pagam impostos.

Já o empresário e o brasileiro, são consumidos por uma carga tributária altíssima que beira 40% de sua renda, enquanto isso a FIFA e seus associados recebem 100% de isenção fiscal!

Não podemos nos esquecer de que a Copa do Mundo é um dos eventos mais lucrativos do planeta. Na África do Sul, em 2010, a FIFA, que organiza e vende o produto com valor agregado ao seu padrão, teve um lucro líquido de R$ 4,7 bilhões.

Estamos falando de um negocio bilionário que entre 2007 e 2011, a FIFA faturou R$ 8,4 bilhões, sendo que 87% (R$ 7,3 bilhões) vieram do Mundial na África. Subtraindo as despesas da Copa de 2010, que foram de R$ 2,6 bilhões, o lucro líquido alcançou os R$ 4,7 bilhões.

Se o mesmo percentual (87%) e o gasto operacional forem projetados para a Copa no Brasil, chega-se ao número de R$ 4 bilhões de lucro líquido.

Não sou contra esse evento, sou contra a forma como ele é organizado, numa “sociedade individual”, onde um sócio cria infraestrutura, ergue a empresa, faz de tudo para o negócio  dar certo, já o outro sócio  aparece somente no final do mês para fazer a retirada de seu pró-labore.

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Ao que tudo indica estamos adentrando mais um momento onde uma possível crise já começa a aparecer em nosso caminho. Nossos pares como Turquia, Índia e África do Sul, já começam a apresentar certo mal estar, a Argentina mais uma vez esta no olho do furacão.

E esta chegando o momento de fazer a separação entre o joio e o trigo, por aqui temos de volta a sombra do apagão, que pode ser olhado por duas vertentes:

1º que a demanda por energia elétrica aumentou demasiadamente no Brasil a ponto de gerar black outs.

2º esse já é um problema antigo e remonta a era FHC, e significa que estamos com certo déficit de investimentos no setor.

Mas não para por aí, no Brasil a exemplo do que ocorre na Ucrânia, estamos vivenciando um momento impar na politica, as manifestações em massa nas ruas, se por um lado o governo afirma que a inflação esta sob controle, nas ruas o povo pede mais pão.

E pelo andar da carruagem esses eventos vão durar até os jogos da Copa, que no momento é o grande pano de fundo de toda essa massa de insatisfeitos nas ruas das grandes metrópoles brasileiras, um movimento que iniciou com estudantes exigindo o recuo no aumento da passagem dos ônibus, hoje se desdobrou em um movimento anti Copa do Mundo no Brasil.

Não se pode afirmar com clareza, mas esse movimento acabou ganhando força por conta da inabilidade de alguns governantes e demora do poder publico em responder questões básicas à população, caso as autoridades tivesses respondido com certa agilidade e tivesse tido menos violência por parte do Estado, talvez esse movimento não tivessem ganhado a força que ganhou.

E o que isso tem a ver com investimentos no Brasil?

Tudo, porque o investidor em outras partes do mundo abre o jornal e acompanha toda essa confusão interna e acaba ficando receoso em aportar seus recursos em capital fixo em terras tupiniquins.

Nesse momento a única opção que sobrara a ele será aproveitar nossa taxa de juros atualmente em 10,5% a.a.

Analisando esses e outros fatores que serão discutidos aqui em breve podemos imaginar que teremos um longo e difícil ano pela frente.

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Assisti a um debate televisivo entre um competente economista e um inteligente burocrata. Visava a formação dos preços de um determinado bem na situação em que a demanda explode, como se espera quando se realizar a Copa do Mundo no Brasil.

O economista, obviamente, insistiu que o preço será formado pelo equilíbrio entre a oferta (a quantidade disponível) e a procura (intensidade do desejo e renda) em cada mercado (como o de habitação, por exemplo).

O burocrata entendia que, em momentos “especiais”, era obrigação do governo fixar o “preço justo”. Era evidente que não poderia emergir qualquer compromisso porque argumentavam em universos diferentes: o economista tentando apelar para conceitos relativamente objetivos e o burocrata defendendo um conceito fluído e normativo.

Voltamos ao século 13. A ideia do “preço justo”, desenvolvida por são Tomás de Aquino, parece perseguir o governo. Ela fazia sentido na Idade Média quando a ausência de mercados bem organizados recomendava restrições éticas que proporcionassem algum controle sobre os preços.

Quase no mesmo dia do debate entre o economista e o burocrata, comemorava-se o sucesso de uma política de controle do uso de drogas que emprega viciados, em troca de uma pequena remuneração,o que é muito bom. No dia do pagamento, a demanda aumentou com a renda. Como a oferta de droga era fixa, o preço “explodiu”.

Existem basicamente duas formas de distribuir a quantidade finita de um bem (digamos, “alojamentos” ou “entorpecentes”), entre indivíduos cujo desejo somado de obtê-lo o excede: pela força ou pelo mercado. Nos dois casos alguém ficará insatisfeito, pela simples e boa razão que a oferta física é inferior à demanda física do mesmo bem. Como se resolve quem é e quem não é atendido?

Podemos discutir filosoficamente os problemas éticos envolvidos nas duas soluções, mas é preciso reconhecer que é impossível conciliar a demanda física de um bem com uma oferta física inferior a ela sem algum mecanismo de coordenação que “escolha” quem vai ser atendido.

O tabelamento apoiado na teoria do “preço justo” para funcionar precisa do poder de polícia. O efeito mais provável é que a oferta se reduza (a não ser que a polícia a constranja fisicamente) o que agrava o problema. E como se escolhe o “sortudo”? Ou na base do compadrio ou do suborno.

A solução do mercado é superior porque: 1) estimula o aumento da oferta e a escolha do “sortudo” é feita automaticamente pelo nível de renda que lhe permite pagar o preço do mercado e, 2) dispensa a “força” e o “suborno”.

Antonio Delfim Netto

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antoniodelfim/2014/02/1407629-preco-justo.shtml

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