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Posts Tagged ‘Inflação’

O banco norte americano J.P Morgan & Co. reduziu na semana passada sua previsão de crescimento para o Brasil em 2014, de 2,1% para 1,5%, em parte devido à queda nas exportações para a Argentina, que, juntamente com a Venezuela, enfrenta uma inflação galopante. O banco também cortou suas projeções para México, Turquia, África do Sul, Tailândia e Chile.

Alguns economistas dizem que o mundo em desenvolvimento não representa uma ameaça tão grande assim. À medida que os países industrializados se fortalecem, seus consumidores e empresas vão comprar mais produtos da Ásia, África e América do Sul, impulsionando a recuperação global, dizem eles.

O Fundo Monetário Internacional prevê que os emergentes crescerão 5,1% este ano, acima dos 4,7% em 2013, e que os países desenvolvidos avançarão 2,2%, bem mais que o 1,3% de 2013.

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A inflação oficial do País começou o ano registrando uma desaceleração em relação ao resultado de dezembro. Em janeiro, o Índice de Preço ao Mercado Amplo (IPCA) avançou 0,55%, ficando 0,37 ponto percentual abaixo dos 0,92% registrados em dezembro de 2013. Esse foi o menor IPCA para um mês de janeiro desde 2009, quando o indicador ficou em 0,48%. Em janeiro de 2013, o IPCA havia sido de 0,86%.

Os dados foram divulgados pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 7. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses também recuou, para 5,59%. Em dezembro, o IPCA acumulado havia subido 5,91%.

O resultado ficou abaixo do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que iam de uma taxa de 0,57% a 0,74%, com mediana de 0,60%.

O IPCA deste mês trouxe uma novidade: passou a incorporar duas novas regiões. Conforme anunciado em agosto de 2013, a partir deste ano Vitória, no Espírito Santo, e Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, passaram a fazer parte da pesquisa. Com a entrada das duas novas regiões, São Paulo teve ligeira perda de participação no cálculo do IPCA. A participação de São Paulo passou de 31,68% em dezembro para 30,67%.

Fonte: Estadão

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-brasil,inflacao-oficial-desacelera-para-0-55-em-janeiro,177345,0.htm

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O assunto que tem dominado o noticiário econômico é a chamada crise dos países emergentes. Com sinais de recuperação mais sólida da economia norte-americana, espera-se que os emergentes venham a receber um influxo menor de capitais.

Assim, esses países terão que reduzir seus deficit externos, com exportações maiores e importações menores, o que requer que suas moedas se enfraqueçam relativamente ao dólar.

Esse processo guarda paralelos incômodos com o observado a partir de meados dos anos 1990, quando o aperto monetário nos EUA contribuiu para uma onda de desvalorizações, inicialmente no leste asiático, cujos efeitos foram particularmente destrutivos.

Vários países da região sofreram recessões bíblicas e as ondas de choque acabaram se propagando para todo o universo emergente, num fenômeno até então desconhecido de contágio financeiro. A crise russa de 1998 e o abandono do câmbio administrado do Brasil em 1999 se devem, entre outros fatores, também à propagação daquele terremoto original.

Não é acidente, portanto, a reação de mercados financeiros à (perspectiva de) alteração da política monetária americana. Quando o mamute se ajeita, a loja treme.

Isto dito, em que pesem certas semelhanças ao ocorrido então, há diferenças substantivas. Para começar, enquanto no final dos anos 1990 a imensa maioria dos países emergentes adotava regimes de câmbio administrado, hoje, pelo contrário, moedas flutuantes predominam. Duas implicações são importantes.

Em primeiro lugar, o regime flutuante costuma desestimular a tomada de empréstimos externos por parte de empresas (e famílias), pois o risco de desvalorização (portanto aumento da dívida em moeda nacional) é elevado.

Já sob câmbio administrado é comum o oposto: a percepção de estabilidade da taxa de câmbio incentiva a formação de elevados passivos externos. Assim, quando a desvalorização ocorre, em geral é acompanhada de crise financeira e forte queda do produto.

Em segundo lugar, quando a taxa de câmbio é administrada, os bancos centrais relutam em permitir a desvalorização (até pelo motivo acima), o que os obriga a elevar fortemente a taxa de juros para impedir a fuga de capitais, com efeitos negativos sobre o PIB.

Caso, porém, a taxa flutue, o BC não tem a obrigação de defender a moeda, apenas moderar o impacto da desvalorização sobre os preços domésticos, o que tipicamente requer movimentos de taxas de juros bem mais modestos do que os necessários para manter uma paridade ameaçada pela mudança de rumo dos fluxos de capitais. Taxas de câmbio flutuantes, portanto, ajudam a “isolar” a economia doméstica das alterações do ambiente externo.

Adicionalmente, escaldadas precisamente pela crise de 1997-99, economias emergentes acumularam uma grande quantidade de reservas, o que também ajuda a mitigar as ondas de choque oriundas da reorientação da política monetária americana.

Nesse aspecto, parece exagero comparar o atual processo ao ocorrido no final dos anos 1990. A desvalorização das moedas emergentes, mais que sinal de fraqueza, é parte central da funcionalidade do regime.

Isto dito, não decorre do exposto acima que todos os emergentes estejam bem. Há divergências importantes, que resultam das políticas adotadas durante os anos de capitais abundantes.

Países que mantiveram políticas sólidas, controlando gastos e mantendo a inflação na meta, hoje conseguem atravessar a turbulência de forma muito mais suave. Quem, por outro lado, desperdiçou a bonança com políticas equivocadas agora paga o preço do descontrole, como é claro nos casos de Argentina e Venezuela.

Já no Brasil a falta de cuidado com a inflação nos últimos anos vai nos custar ainda mais. Partindo de inflação alta e expectativas idem, o BC terá que trabalhar mais duro para evitar os efeitos inflacionários da desvalorização. Não foi, como bem sabem os 18 fiéis, por falta de alerta.

Alexandre Schwartsman

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2014/02/1407663-crise.shtml

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SÃO PAULO) – todos os meses, o paulistano Luiz Barsi recebe milhões de reais em dividendos pagos pelas empresas onde investe. Com mais de R$ 1 bilhão na Bovespa, ele diz que qualquer um pode enriquecer com ações. Basta comprar papéis baratos, negociados abaixo do valor patrimonial, e esperar. No começo, será necessário ter paciência para que a empresa comece a apresentar resultados melhores e disciplina para aplicar capital todos os meses na bolsa. Mas chegará um momento em que apenas o reinvestimento dos dividendos recebidos será suficiente para que a pessoa enriqueça.

Vinda de outra pessoa, a fórmula acima soaria como uma simplificação banal da realidade. Mas o fato é que Barsi diz que foi de pobre a bilionário fazendo apenas isso. O investidor morou em cortiço na infância e engraxou sapatos para ajudar a mãe a pagar as contas após a morte do pai. Tomou contato com o mercado financeiro na década de 1960, começou a investir e não parou mais. O enriquecimento não mudou seus hábitos. Com Warren Buffett, ele diz ter aprendido a levar uma vida sem luxos. Barsi vai trabalhar de metrô e costuma dirigir uma Chevrolet Zafira. Trabalha há 16 anos num escritório sem decoração no centro de São Paulo, com móveis antigos, TVs de tubo empilhadas e uma persiana que não funciona na janela. Na entrevista a seguir, Barsi detalha sua estratégia e diz por que considera um mau negócio empresas que não são negociadas na bolsa, PGBL, VGBL, imóveis, renda fixa e caderneta de poupança:

Como enriquecer na bolsa

O melhor momento para entrar na bolsa é quando acontece uma crise socioeconômica. Como tem muito incompetente neste País, crise não falta. Em 2008, uma crise socioeconômica fez com que as ações caíssem. Você acha isso ruim? Meus recursos vibraram porque eu pude comprar ações por um ótimo valor E independente do momento de entrada, é absolutamente impossível deixar de ganhar dinheiro no mercado de valores se você respeitar três regras. É preciso investir só o recurso que você não vai usar no curto ou médio prazo. A segunda regra é nunca comprar uma dica. A definição universal de investidor é aquele indivíduo que avalia um segmento da economia, os fundamentos de uma empresa, o valor de uma ação e os riscos. Já o investidor brasileiro é o especulador que recebeu uma dica errada. Veja o monte de gente que comprou ações de incorporadoras em 2008. O cara comprou Gafisa a R$ 22 e hoje vale R$ 5. A dica virou zica. Só peça ajuda a alguém se você tem absoluta certeza que ele é um vencedor na bolsa. A terceira regra é nunca vender ações por necessidade. Além das três regras, ainda é necessário ter disciplina e paciência. Quem faz isso fica rico.

Dividendos para a aposentadoria

Eu estimulo as pessoas a montar uma carteira previdenciária. Em 2008, chegou uma senhora aqui que tinha recebido um dinheiro do seguro de vida após a morte do marido. Ela disse que estava em dúvida entre comprar o apartamento onde morava ou investir em ações para a aposentadoria. Eu perguntei a ela se R$ 67 mil por mês de aposentadoria estava bom. Ela arregalou os olhos. Eu disse que era fácil conseguir isso, era só comprar 1 milhão de ações da Eternit por R$ 3,8 milhões [preço da época]. Como a ação paga R$ 0,80 por ano em dividendos, com 1 milhão de ações ela receberia R$ 800 mil por ano ou R$ 67 mil por mês. Ela disse que não tinha tanto dinheiro. Eu disse para ela cortar um zero, que compasse 100 mil ações para receber R$ 80 mil em dividendos ao ano. Ela comprou ações da Eternit e começou a reinvestir na bolsa o que recebesse em dividendos. Com o que ela ganhou em dividendos e valorização dos papéis, hoje pode comprar todo o prédio de seis apartamentos onde mora. Não é preciso ter muito dinheiro. Comece pequeno, mas não pare. Vai chegar uma hora em que não será preciso colocar mais nada. Os próprios dividendos reinvestidos vão permitir que você continue enriquecendo.

Onde investir

Gosto de setores que a economia não vive sem eles. Eu tenho participações na Klabin, Eletrobras, Eletropaulo, Transmissão Paulista, Suzano, Ultrapar, Unipar, Eternit e Banco do Brasil porque essas empresas não vão quebrar nunca. Se tivesse que investir em um negócio hoje, escolheria algo em que o consumidor paga mesmo sem usar. Quando você viaja e fica um mês fora de casa, mesmo assim você paga algo na conta de luz. Banco é a mesma coisa. Você sempre paga tarifa. Antes o banco lhe remunerava com um jurinho mesmo que você deixasse o dinheiro na conta corrente. Hoje ele lhe cobra para ter uma conta corrente. Ele ainda toma dinheiro dos clientes pagando 6% ao ano e empresta a 200% no cartão de crédito. Outros setores que gosto são telecomunicações e saneamento.

Como empobrecer na bolsa

Há três tipos de compradores que serão perdedores natos e nunca vão enriquecer na bolsa: quem compra ações para especular, quem investe em fundos passivos que apenas seguem o Ibovespa sem fazer uma análise dos melhores papéis e quem usa opções ou contratos a termo para se alavancar. Se alavancar, virou jogatina.

Não compre na baixa e venda na alta

As pessoas geralmente examinam as cotações das ações com a ideia de comprar na baixa e vender na alta. Esse é um sentimento que o cidadão deve exorcizar. Eu compro na baixa e rezo para que baixe ainda mais. Quando você compra uma ação com o sentimento de vendê-la com um sobrepreço, você torce para que ela suba. Mas quando você tem um programa de 10 anos para enriquecer em que todos os meses você vai comprando um pouquinho mais de ações, você vai torcer para comprar mais caro? Não, né?

A Bovespa não é arriscada

O mercado de ações no Brasil não é de risco. Mercado de risco é nos EUA ou na Europa. Quem compra a ação de uma empresa lá paga muito mais do que o valor real, que pode ser representado pelo valor patrimonial. O patrimônio líquido é resultante de bens, direitos, valores e obrigações. Se você comprar um papel por menos ou muito menos que o valor patrimonial, não tem risco.

Setor elétrico é para comprar de pá

Recentemente tivemos um evento no setor de energia que exemplifica as oportunidades da Bovespa. A maioria das empresas do setor de energia era negociada por mais do que o valor patrimonial, com exceção da Eletrobras. Aí veio a presidente Dilma e baixou o preço da energia sem consultar ninguém. Muitas empresas de energia passaram a ser negociadas por bem menos que o valor patrimonial. Eu fui lá e comprei. Ao invés de fugirem do setor elétrico como fizeram, todos deveriam ter comprado mais. Eu comprei Eletropaulo e Eletrobras ON por causa de fatores técnicos, dados históricos e um retorno em dividendos mais interessante. Os outros fugiram por uma questão psicológica. Teve aquele analista do Barclays que disse que o preço justo da ação da Eletrobras era R$ 1. Eu estava rezando para que fosse a R$ 2, mas infelizmente não foi. Quando chegou a R$ 6, eu e um monte de gente compramos. Numa situação como essas, tem que ir lá e comprar com a pá. Como toda a estrutura que possui, a Eletrobras chegou a ter um valor de mercado de R$ 12 bilhões, sendo que só a usina de Belo Monte vai custar R$ 25 bilhões. Então é ridículo o preço que se atribui a ela.

Empresas fora da bolsa

Não invisto em empresas que não estão na bolsa. As empresas de capital aberto não exigem que se faça gestão para ser sócio. Eu não quero ser dono, eu quero ser um investidor parceiro. Uma vez me perguntaram o que eu achava de um posto de gasolina como investimento. Eu disse que era uma maravilha. Então me perguntaram por que eu não tinha um. Eu disse que preferia ter 4% de 5 mil postos de gasolina da Petróleo Ipiranga. Não tem dor de cabeça e ninguém me assalta. Não exercito o sentimento de dono. Se o negócio começa a ir mal, no mercado de valores você vende as ações e parte para outra.

Não invista em fundos de ações

Eu não conheço ninguém que ficou rico comprando fundo. Nos fundos, tem um sanguessuga permanente, que se chama taxa de administração, taxa de performance, taxa de êxito, taxa de acerto. Não tiram só do lucro, tiram do principal também. Você precisa ter um ganho extraordinário para suportar esses gastos.

Os lucros artificiais dos fundos

Um dos caras de mercado mais incríveis que conheci foi o Edmundo Valadão [um dos fundadores da Geração Futuro, morto em 2010]. Ele comprava uns lixos do mercado, que ninguém queria e que não tinham liquidez. Com algum dinheiro, ele conseguia comprar boa parte dos papéis em circulação dessa empresa, elevando as cotações. Mas era uma riqueza que não era verdadeira porque, se precisasse, ele teria dificuldade em vender aquela posição sem derrubar as cotações. Entre as empresas que ele valorizou, estão a Forjas Taurus e a Guararapes. Ele ajudou a multiplicar a cotação da Forjas Taurus por 15. Então imagine como o fundo dele subiu com isso? Mas esse tipo de lucro só serve para ele captar mais dinheiro. Por que o Bradesco e outros fundos nunca dão uma performance tão boa? Porque lá tem comitê de administração e o gestor não consegue fazer isso.

Warren Buffett

Uma das coisas que aprendi com o Warren Buffett é não ser um “patrocinator”. As pessoas sentem necessidade de mostrar à sociedade que têm grana. A primeira coisa que 99% das pessoas que ganham dinheiro fazem é gastar, é jogar para fora a essência de seus egos. Quem souber administrar esses egos, um dia vai ficar rico. Cada vez que ganha dinheiro, o Buffett o administra com lógica, competência e inteligência. Muitas pessoas não entendem o sentido de ele ter uma montanha de dinheiro e morar há tantas décadas na mesma casa. Mas se ele está bem naquela casa, por que ele precisa comprar um palácio? Ele não compra um carro de US$ 500 mil porque, para se locomover, não é necessário. O Buffett contempla a conta bancária.

Para se locomover, Zafira e metrô

Eu podia comprar 10 Mercedes, uma de cada cor. Sei que posso qualquer coisa, mas eu devo? Se acho uma imbecilidade, não faço. O carro em que ando com mais regularidade é uma Zafira [carro da Chevrolet que já saiu de linha]. Minha esposa recentemente me pediu uma SUV. Sabe qual comprei? Um Chery Tiggo [carro chinês] de R$ 50 mil. É a metade do preço de outros SUV, mas é um ótimo carro. Eu não tenho vaidade. Para trabalhar, venho todos os dias de metrô. É mais seguro. Eu vivo pensando em ações. Então às vezes estou no carro, vem alguma coisa à cabeça e me distraio. Já cheguei a passar no farol vermelho no cruzamento das avenidas Paulista e Brigadeiro Luís Antônio. Como no metrô nunca vai acontecer isso, mudei meu hábito. Gasto só com o que é necessário. Moro em uma excelente casa. Quando quero ir a uma churrascaria, vou ao Fogo de Chão.

PGBL e VGBL são conto do vigário

Com um fundo de previdência, as pessoas não conseguem enriquecer. Você já ouviu falar do Montepio da Família Militar? Era um fundo de previdência que quebrou [em 1986, deixando milhares de poupadores na mão]. Mesmo que não quebre, esses fundos tiram tanto em taxas cobradas dos poupadores que não dá o resultado esperado. Você já tentou comprar um PGBL ou VGBL? É um conto do vigário. Fiz um e coloquei R$ 100 por mês durante cinco anos. Quando fui resgatar, havia perdido 40%.

Renda fixa

Se você anotar todos seus gastos no começo e no final do ano e comparar o aumento com o que a renda fixa lhe paga, vai ver que sempre está perdendo poder aquisitivo. Aplicar na renda fixa rende menos que sua inflação. Renda fixa é perda fixa. Eu aplicava nisso quando dava 20% ao dia. Hoje vejo que a população ficou seduzida pelos retornos daquele período de inflação galopante e juros altos. O governo não incentivou a criação de investidores, criou um bando de agiotas que emprestam dinheiro ao banco e recebem pouco.

Poupança

A gente é muito atrasado na cultura de investimentos. O brasileiro foi acarneirado. Nas décadas de 1960 e 1970, havia propagandas de bancos na TV chamando as pessoas para investir na caderneta de poupança. Na época, o próprio governo incentivava isso porque precisava desse dinheiro para se financiar. As pessoas ainda acham que poupança é garantido e não tem risco. Mas, se o banco quebrar, o cidadão só recebe de volta R$ 250 mil. Como os mais jovens começaram a perceber isso, a isca mudou. Agora a cama de gato é para os garotinhos. O banco dá à criançada um bonequinho [os “poupançudos” da Caixa Econômica Federal] se o pai abrir uma caderneta. Nunca ninguém diz para você comprar ações e ficar rico.

Imóveis

Comprar um apartamento na planta e vender depois de seis meses não é investimento, é especulação. Se der sorte de comprar um imóvel e pegar um ciclo bom da economia ou então for construída uma estação de metrô ou um shopping na região, haverá uma valorização. Mas também pode dar errado. Não tem liquidez e não dá para se desfazer de só uma parte do investimento como na bolsa. Sem a inflação, os imóveis perderam o charme. O Poder Judiciário demora para ordenar o despejo de alguém que não paga aluguel. E as prefeituras podem tirar receitas do dono do imóvel. Elas jogam o valor venal do imóvel lá para cima para cobrar mais IPTU.

Fonte: Infomoney

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A cesta básica do paulistano está mais magra. Em pouco mais de dois anos, entre fevereiro de 2011 e março de 2013, a inflação reduziu em quase 8 quilos ou 26,7% as quantidades de produtos, que incluem alimentos e itens de higiene e limpeza, aponta um estudo do Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA) em parceria com Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo.

Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Conselho do Provar, e Cauê Moraes Moura, pesquisador da instituição, fizeram uma análise para avaliar o impacto da alta de preços na capacidade de compra do consumidor, só que de uma forma inusitada: em quantidades. Para isso, converteram em quilos, sem restrições, os 31 itens que compõem a cesta básica do Procon/Dieese. Isso quer dizer, por exemplo, que foram somados quilos de sabão em pó com quilos de arroz e feijão para saber se o carrinho estava mais cheio ou vazio fisicamente.

O estudo mostra que em fevereiro de 2011, mês escolhido como base de comparação, a cesta básica total pesava 29,68 quilos. Considerando apenas a evolução dos preços, sem impactos de ganhos de renda do consumidor no período ou substituição de produtos, essa cesta encolheu para 27,216 quilos em fevereiro de 2012. É uma retração de 2,432 quilos, ou 8,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

A maior queda nas quantidades foi registrada no último ano, entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2013, quando a inflação se acelerou, especialmente a partir do terceiro trimestre do ano passado, com o choque de preços agrícolas. Resultado: em fevereiro deste ano, a cesta pesava 21,188 quilos. Isto é, tinha 6,028 quilos a menos ou era 22,14% menor do que no ano anterior. “Em dois anos, houve uma grande perda de poder aquisitivo no conjunto dos produtos da cesta básica”, observa Felisoni.

Essa avaliação é confirmada pelos dados do comércio varejista apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os volumes vendidos nos supermercados e hipermercados, por exemplo, recuaram 2,1% em fevereiro de 2013 ante o mesmo mês de 2012. Foi a primeira queda desse indicador desde março de 2009 e reflete o avanço da inflação. A alimentação no domicílio, por exemplo, acumula alta de 13,9% nos 12 meses terminados em fevereiro, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial de inflação. Até janeiro, a alta em 12 meses havia sido de 12% da alimentação no domicílio segundo o IPCA.

Desoneração. Para tentar tirar o fôlego da inflação, o governo anunciou em 8 de março a desoneração de PIS/Cofins de alguns produtos da cesta básica. A análise feita pelo estudo mostra que as quantidades de produtos da cesta básica diminuiu cerca de 1% até o fim da segunda semana de março e que a política econômica do governo de desonerações começou a dar algum resultado somente após a terceira semana do mês.

“Mas o impacto da desoneração nas quantidades foi pífio”, enfatiza Felisoni. Em números exatos, com o corte de imposto, o volume em quilos da cesta básica aumentou de 21,188 quilos em fevereiro para 21,730 em março. Foi um ganho de cerca de meio quilo ou 2,55% num mês, incapaz de repor as perdas anteriores.

Fonte: Estadão

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Por João SandriniRafael Brandimarti  

(SÃO PAULO) – A demora do Banco Central em subir os juros tem gerado uma série de críticas no mercado financeiro. Os questionamentos vão de uma suposta leniência com a inflação até sobre uma possível falta de autonomia do Banco Central para tomar medidas impopulares sob o governo Dilma. Para o professor e economista Delfim Netto, entretanto, as duras críticas não fazem sentido. “O Tombini não é sujeito de fazer o que mandam”, dispara Delfim, que comandou os ministérios da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento durante 13 anos do regime militar e também foi deputado federal por duas décadas. “No instante em que o BC decidir que precisa subir os juros, vai subir os juros. Se não deixar, ele [Tombini] pega o chapéu e vai embora. Aí, sim, teremos um problema.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista ao InfoMoney:

IM – A inflação atual assusta?

Delfim Netto – Temos uma inflação por excesso de demanda, que está maior que a oferta. O ajuste se faz subindo o nível de preços. Aí vem alguém e diz que a solução é aumentar os juros. O problema é que, se o juro real sobe, há uma redução da demanda, mas também há uma redução da oferta. É verdade que a demanda cai mais e que isso diminui a pressão inflacionária. Mas às custas de quê? De uma redução do PIB e de um aumento do nível de desemprego. Então a solução virtuosa seria o governo cortar seu déficit fiscal para conter o excesso de demanda. O déficit é de 2,5% do PIB e poderia ser de 1%. Seria uma grande contribuição para reduzir a inflação.

IM – Os juros não são mais eficientes para conter os preços?

DN – A maior ilusão é achar que o Banco Central controla a inflação. O Brasil mudou. Há dez anos, a empregada doméstica aprendeu que podia ser manicure, a manicure aprendeu que podia trabalhar em um call center, a moça do call center arrumou um emprego no supermercado e a caixa do supermercado virou vendedora na loja de departamento. A moça que tomava banho com sabão de coco agora usa sabonete Dove. Você acha que existe alguma taxa de juros que a faça voltar a usar sabão de coco? Você imagina a tragédia de desemprego que seria necessária para fazer essa pessoa voltar a ser empregada doméstica? Subir os juros é solução do livro-texto. Mas não é assim que funciona a economia. Fazer política monetária não é como construir uma ponte, em que já se conhecem todos os cálculos, os materiais e os métodos de construção. A correlação entre juros e emprego é sempre negativa, mas é tênue e imprecisa. O paciente da ação da política monetária não é como o ferro, a areia e o cimento do engenheiro. O paciente é um canalha que pensa, que grita, que reclama e, pior de tudo, que vota. É por isso que só político pode salvar economista.

IM – É papel do Banco Central pensar no impacto eleitoral de suas medidas?

DN – A política econômica tem que levar em conta as consequências sobre o lado político. Não tenho a menor dúvida que o Tombini está mais afinado com a realidade do que a maioria de seus críticos. Apesar de o País crescer pouco, estamos quase em pleno emprego. O Tombini sabe que há um problema grave e estrutural no mercado de trabalho e que um dia ele vai ter que subir a taxa de juros, a não ser que ele seja ajudado pelo Ministério da Fazenda.

IM – Mas já não seria a hora de o BC parar de esperar e agir?

DN – A expectativa de inflação se deteriorou. Mas a experiência do mundo é que quando você tem um sistema de metas com banda, a inflação namora a banda de cima. A banda serve para dar certo conforto para enfrentar choques de oferta. Nós estamos vivendo claramente um choque de oferta na agricultura. Já no caso dos serviços, acho que é uma coisa muito mais séria. Há um desequilíbrio estrutural, em que se estimulou aumentos de salários muito acima do aumento da produtividade. Esse é um problema que terá de ser atacado, mas não é o BC que pode fazer isso. É o governo mandando um projeto de lei que permita a livre negociação [de salários e direitos trabalhistas].

IM – Até quando o BC poderá esperar por essas medidas?

DN – Isso é um jogo entre o BC e o mercado. Todos dizem que o BC está ampliando as expectativas de inflação ao esperar, mas eu acredito que eles estão certos na convicção de que, tão logo passe esse choque de oferta [dos alimentos], a inflação vai amenizar. Se o cenário não melhorar, eles vão de juros mesmo. Mas, se o argumento deles está correto, a inflação vai cair de qualquer jeito, elevando ou não os juros por conta do fim do choque de oferta. Aí o sujeito vai dizer que a inflação caiu porque subiu os juros e vai pedir mais 0,25 ponto percentual para colocar no bolso…

IM – A presidente e o ministro da Fazenda pressionam o BC a adiar a alta dos juros?

DN – É ilusão pensar que o Tombini está fazendo isso porque a Dilma quer ou porque o Mantega quer. O Tombini não é homem de dizer que precisa fazer algo e alguém vir e dizer que não pode. O Tombini não é sujeito de fazer o que mandam. É um profissional maduro, consciente do seu valor, apoiado numa assessoria de alta qualidade e que vai fazer aquilo que ele acha que é correto. O BC tem o melhor departamento econômico do Brasil, tem um grupo de economistas em estado de arte, que acredita em seus modelos, que tem orçamento, que está o tempo todo viajando, se informando. No instante em que o BC decidir que precisa subir os juros, vai subir os juros. Se não deixar, ele pega o chapéu e vai embora. Aí, sim, teremos um problema.

IM – Por que se disseminou a percepção de que o BC já não é tão independente quanto foi nos governos anteriores?

DN – Aqui tem uma galinhagem de que o Banco Central tem que ser independente. Banco Central tem que ser autônomo, mas não independente. É perfeitamente aceitável e recomendável que o ministro da Fazenda e o presidente do BC sentem na mesma mesa e conversem sobre a política monetária e política fiscal, que um diga que vai apertar um pouquinho o fiscal para que o outro aperte um pouquinho os juros.

IM – Então o BC do Tombini evoluiu em relação ao BC do Meirelles?

DN – O Meirelles é um sujeito hábil, esperto e competente. Mas o Meirelles obviamente não tinha o domínio da teoria que o Tombini tem. Mas isso não é uma evolução em relação ao Meirelles, é a situação que mudou. Provavelmente o Meirelles lidando com a atual situação seria outro Meirelles. E o Tombini na situação em que estava o Meirelles seria outro Tombini.

IM – A inflação nos patamares atuais não acaba corroendo a renda da população?

DN – A renda real não tem caído. Uma inflação de 5% não corrói a renda porque a correção do salário mínimo e dos salários em geral cresce mais que isso.

IM – Você acha crível esperar que o governo corte gastos?

DN – Se ele não cortar, não vai ter saída. A inflação não será controlada. Se bater no teto, as coisas vão ficar quentes. Se bater no teto e voltar, a coisa acomoda. Mas não tem nenhuma garantia de que isso acontecerá. Aí vai ter que fazer o aumento mesmo, não tem remédio.

Leia a entrevista completa na próxima edição da Revista InfoMoney, que chega às bancas em maio.

Fonte: Site Infomoney

http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2720486/tombini-nao-sujeito-fazer-que-mandam-diz-delfim-netto

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A criação do Real foi o programa brasileiro de estabilização econômica, iniciado oficialmente no dia 27 de fevereiro de 1994 com a publicação da Medida Provisória nº 434. Essa  Medida Provisória instituiu a Unidade Real de Valor (URV), estabeleceu regras de conversão e uso de valores monetários, iniciou a desindexação da economia, e determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real.

O programa foi o mais amplo plano econômico já realizado no Brasil, e tinha como objetivo principal o controle da hiperinflação. Utilizou-se de diversos instrumentos econômicos e políticos para a redução da inflação que chegou a 46,58% ao mês em junho de 1994, época do lançamento da nova moeda.

O Plano Real mostrou-se o plano de estabilização econômica mais eficaz da história, reduzindo a inflação, ampliando o poder de compra da população, e remodelando os setores econômicos nacionais.

Desindexação da economia
O ajuste e reajuste de preços e valores passaram a ser anualizados e obedeceriam as planilhas de custo de produção.
Era necessário interromper o ciclo vicioso de corrigir valores futuros pela inflação passada, em curtos períodos de tempo. Essa atitude agravava a inflação, tornando-a cada vez maior. Era comum acontecer remarcação de preços várias vezes num mesmo dia.

Privatizações
A troca na propriedade de grandes empresas brasileiras eliminou a obrigação pública de financiar investimentos (que causam inflação se for feito pelo governo) e possibilitou a modernização de tais empresas (sob controle estatal havia barreiras impeditivas para tal progresso).
A iniciativa privada tem meios próprios de financiar os investimentos das empresas, e isto não produz inflação, e sim, desenvolvimento, porque não envolve o orçamento do governo. Este deve alocar recursos para outras áreas importantes. E ainda, na iniciativa privada não há as regras administrativas orçamentárias e licitatórias, que prejudicam a produção das empresas e a concorrência.

Equilíbrio fiscal
Corte de despesas e aumento de cinco pontos percentuais em todos os impostos federais.
A máquina administrativa brasileira era muito grande e consumia muito dinheiro para funcionar. Havia somente no âmbito federal 100 autarquias, 40 fundações, 20 empresas públicas (sem contar as empresas estatais), além de 2 mil cargos públicos com denominações imprecisas, atribuições mal definidas e remunerações díspares. Como o país não produzia o suficiente, decidiu-se pelo ajuste fiscal, o que incluiu cortes em investimentos, gastos públicos e demissões. Durante o governo FHC, aproximadamente 20 mil pessoas foram demitidas do governo federal.

Abertura econômica
Redução gradual de tarifas de importação e facilitação da prestação de serviços internacionais.
Havia temor de que o excesso de demanda por produtos e serviços causasse a remarcação de preços, pressionando a inflação. Existia também a necessidade de forçar o aperfeiçoamento da indústria nacional, o que permitiria o aumento da produção no longo prazo, e essa oferta de produtos tenderia a baixar a inflação.

Contingenciamento
Manutenção do câmbio artificialmente valorizado.
Com efeito da valorização do Real, esperava-se um aumento das importações, com aumento da oferta de produtos e aperfeiçoamento da indústria nacional.

Políticas monetárias restritivas
Aumento da taxa básica de juros e da taxa de depósito compulsório dos bancos.
A taxa de juros teve inicialmente dois propósitos: financiar os gastos públicos excedentes até que se atingisse o equilíbrio fiscal, e reduzir a pressão por financiamentos, considerados agentes inflacionários. Os financiamento chegaram ter o prazo de quitação regulado pelo governo. O compulsório dos bancos teve o propósito de reduzir a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos e financiamentos dos bancos, uma vez que são obrigados a recolher compulsoriamente uma parte dos valores ao Banco Central.

Os efeitos em longo prazo esperado à época do lançamento do Plano Real foram:

a) Manutenção de baixas taxas inflacionárias e referências reais de valores;
b) Aumento do poder aquisitivo das famílias brasileiras;
c) Modernização do parque industrial brasileiro;
d) Crescimento econômico com geração de empregos.

Em Junho de 94 a inflação estava em torno de 47% ao mês. No mês de Julho de 94 com a implantação do Plano a inflação chegou a 6,08% ao mês, Agosto de 94 foi de 5%% e Setembro chegou a 1,5%. O Plano Real comemora em 2009 15 anos de estabilidade e sucesso no que tange a seu objetivo principal que é o controle da inflação e o fortalecimento da moeda.

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