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Posts Tagged ‘Warren Buffett’

SÃO PAULO) – todos os meses, o paulistano Luiz Barsi recebe milhões de reais em dividendos pagos pelas empresas onde investe. Com mais de R$ 1 bilhão na Bovespa, ele diz que qualquer um pode enriquecer com ações. Basta comprar papéis baratos, negociados abaixo do valor patrimonial, e esperar. No começo, será necessário ter paciência para que a empresa comece a apresentar resultados melhores e disciplina para aplicar capital todos os meses na bolsa. Mas chegará um momento em que apenas o reinvestimento dos dividendos recebidos será suficiente para que a pessoa enriqueça.

Vinda de outra pessoa, a fórmula acima soaria como uma simplificação banal da realidade. Mas o fato é que Barsi diz que foi de pobre a bilionário fazendo apenas isso. O investidor morou em cortiço na infância e engraxou sapatos para ajudar a mãe a pagar as contas após a morte do pai. Tomou contato com o mercado financeiro na década de 1960, começou a investir e não parou mais. O enriquecimento não mudou seus hábitos. Com Warren Buffett, ele diz ter aprendido a levar uma vida sem luxos. Barsi vai trabalhar de metrô e costuma dirigir uma Chevrolet Zafira. Trabalha há 16 anos num escritório sem decoração no centro de São Paulo, com móveis antigos, TVs de tubo empilhadas e uma persiana que não funciona na janela. Na entrevista a seguir, Barsi detalha sua estratégia e diz por que considera um mau negócio empresas que não são negociadas na bolsa, PGBL, VGBL, imóveis, renda fixa e caderneta de poupança:

Como enriquecer na bolsa

O melhor momento para entrar na bolsa é quando acontece uma crise socioeconômica. Como tem muito incompetente neste País, crise não falta. Em 2008, uma crise socioeconômica fez com que as ações caíssem. Você acha isso ruim? Meus recursos vibraram porque eu pude comprar ações por um ótimo valor E independente do momento de entrada, é absolutamente impossível deixar de ganhar dinheiro no mercado de valores se você respeitar três regras. É preciso investir só o recurso que você não vai usar no curto ou médio prazo. A segunda regra é nunca comprar uma dica. A definição universal de investidor é aquele indivíduo que avalia um segmento da economia, os fundamentos de uma empresa, o valor de uma ação e os riscos. Já o investidor brasileiro é o especulador que recebeu uma dica errada. Veja o monte de gente que comprou ações de incorporadoras em 2008. O cara comprou Gafisa a R$ 22 e hoje vale R$ 5. A dica virou zica. Só peça ajuda a alguém se você tem absoluta certeza que ele é um vencedor na bolsa. A terceira regra é nunca vender ações por necessidade. Além das três regras, ainda é necessário ter disciplina e paciência. Quem faz isso fica rico.

Dividendos para a aposentadoria

Eu estimulo as pessoas a montar uma carteira previdenciária. Em 2008, chegou uma senhora aqui que tinha recebido um dinheiro do seguro de vida após a morte do marido. Ela disse que estava em dúvida entre comprar o apartamento onde morava ou investir em ações para a aposentadoria. Eu perguntei a ela se R$ 67 mil por mês de aposentadoria estava bom. Ela arregalou os olhos. Eu disse que era fácil conseguir isso, era só comprar 1 milhão de ações da Eternit por R$ 3,8 milhões [preço da época]. Como a ação paga R$ 0,80 por ano em dividendos, com 1 milhão de ações ela receberia R$ 800 mil por ano ou R$ 67 mil por mês. Ela disse que não tinha tanto dinheiro. Eu disse para ela cortar um zero, que compasse 100 mil ações para receber R$ 80 mil em dividendos ao ano. Ela comprou ações da Eternit e começou a reinvestir na bolsa o que recebesse em dividendos. Com o que ela ganhou em dividendos e valorização dos papéis, hoje pode comprar todo o prédio de seis apartamentos onde mora. Não é preciso ter muito dinheiro. Comece pequeno, mas não pare. Vai chegar uma hora em que não será preciso colocar mais nada. Os próprios dividendos reinvestidos vão permitir que você continue enriquecendo.

Onde investir

Gosto de setores que a economia não vive sem eles. Eu tenho participações na Klabin, Eletrobras, Eletropaulo, Transmissão Paulista, Suzano, Ultrapar, Unipar, Eternit e Banco do Brasil porque essas empresas não vão quebrar nunca. Se tivesse que investir em um negócio hoje, escolheria algo em que o consumidor paga mesmo sem usar. Quando você viaja e fica um mês fora de casa, mesmo assim você paga algo na conta de luz. Banco é a mesma coisa. Você sempre paga tarifa. Antes o banco lhe remunerava com um jurinho mesmo que você deixasse o dinheiro na conta corrente. Hoje ele lhe cobra para ter uma conta corrente. Ele ainda toma dinheiro dos clientes pagando 6% ao ano e empresta a 200% no cartão de crédito. Outros setores que gosto são telecomunicações e saneamento.

Como empobrecer na bolsa

Há três tipos de compradores que serão perdedores natos e nunca vão enriquecer na bolsa: quem compra ações para especular, quem investe em fundos passivos que apenas seguem o Ibovespa sem fazer uma análise dos melhores papéis e quem usa opções ou contratos a termo para se alavancar. Se alavancar, virou jogatina.

Não compre na baixa e venda na alta

As pessoas geralmente examinam as cotações das ações com a ideia de comprar na baixa e vender na alta. Esse é um sentimento que o cidadão deve exorcizar. Eu compro na baixa e rezo para que baixe ainda mais. Quando você compra uma ação com o sentimento de vendê-la com um sobrepreço, você torce para que ela suba. Mas quando você tem um programa de 10 anos para enriquecer em que todos os meses você vai comprando um pouquinho mais de ações, você vai torcer para comprar mais caro? Não, né?

A Bovespa não é arriscada

O mercado de ações no Brasil não é de risco. Mercado de risco é nos EUA ou na Europa. Quem compra a ação de uma empresa lá paga muito mais do que o valor real, que pode ser representado pelo valor patrimonial. O patrimônio líquido é resultante de bens, direitos, valores e obrigações. Se você comprar um papel por menos ou muito menos que o valor patrimonial, não tem risco.

Setor elétrico é para comprar de pá

Recentemente tivemos um evento no setor de energia que exemplifica as oportunidades da Bovespa. A maioria das empresas do setor de energia era negociada por mais do que o valor patrimonial, com exceção da Eletrobras. Aí veio a presidente Dilma e baixou o preço da energia sem consultar ninguém. Muitas empresas de energia passaram a ser negociadas por bem menos que o valor patrimonial. Eu fui lá e comprei. Ao invés de fugirem do setor elétrico como fizeram, todos deveriam ter comprado mais. Eu comprei Eletropaulo e Eletrobras ON por causa de fatores técnicos, dados históricos e um retorno em dividendos mais interessante. Os outros fugiram por uma questão psicológica. Teve aquele analista do Barclays que disse que o preço justo da ação da Eletrobras era R$ 1. Eu estava rezando para que fosse a R$ 2, mas infelizmente não foi. Quando chegou a R$ 6, eu e um monte de gente compramos. Numa situação como essas, tem que ir lá e comprar com a pá. Como toda a estrutura que possui, a Eletrobras chegou a ter um valor de mercado de R$ 12 bilhões, sendo que só a usina de Belo Monte vai custar R$ 25 bilhões. Então é ridículo o preço que se atribui a ela.

Empresas fora da bolsa

Não invisto em empresas que não estão na bolsa. As empresas de capital aberto não exigem que se faça gestão para ser sócio. Eu não quero ser dono, eu quero ser um investidor parceiro. Uma vez me perguntaram o que eu achava de um posto de gasolina como investimento. Eu disse que era uma maravilha. Então me perguntaram por que eu não tinha um. Eu disse que preferia ter 4% de 5 mil postos de gasolina da Petróleo Ipiranga. Não tem dor de cabeça e ninguém me assalta. Não exercito o sentimento de dono. Se o negócio começa a ir mal, no mercado de valores você vende as ações e parte para outra.

Não invista em fundos de ações

Eu não conheço ninguém que ficou rico comprando fundo. Nos fundos, tem um sanguessuga permanente, que se chama taxa de administração, taxa de performance, taxa de êxito, taxa de acerto. Não tiram só do lucro, tiram do principal também. Você precisa ter um ganho extraordinário para suportar esses gastos.

Os lucros artificiais dos fundos

Um dos caras de mercado mais incríveis que conheci foi o Edmundo Valadão [um dos fundadores da Geração Futuro, morto em 2010]. Ele comprava uns lixos do mercado, que ninguém queria e que não tinham liquidez. Com algum dinheiro, ele conseguia comprar boa parte dos papéis em circulação dessa empresa, elevando as cotações. Mas era uma riqueza que não era verdadeira porque, se precisasse, ele teria dificuldade em vender aquela posição sem derrubar as cotações. Entre as empresas que ele valorizou, estão a Forjas Taurus e a Guararapes. Ele ajudou a multiplicar a cotação da Forjas Taurus por 15. Então imagine como o fundo dele subiu com isso? Mas esse tipo de lucro só serve para ele captar mais dinheiro. Por que o Bradesco e outros fundos nunca dão uma performance tão boa? Porque lá tem comitê de administração e o gestor não consegue fazer isso.

Warren Buffett

Uma das coisas que aprendi com o Warren Buffett é não ser um “patrocinator”. As pessoas sentem necessidade de mostrar à sociedade que têm grana. A primeira coisa que 99% das pessoas que ganham dinheiro fazem é gastar, é jogar para fora a essência de seus egos. Quem souber administrar esses egos, um dia vai ficar rico. Cada vez que ganha dinheiro, o Buffett o administra com lógica, competência e inteligência. Muitas pessoas não entendem o sentido de ele ter uma montanha de dinheiro e morar há tantas décadas na mesma casa. Mas se ele está bem naquela casa, por que ele precisa comprar um palácio? Ele não compra um carro de US$ 500 mil porque, para se locomover, não é necessário. O Buffett contempla a conta bancária.

Para se locomover, Zafira e metrô

Eu podia comprar 10 Mercedes, uma de cada cor. Sei que posso qualquer coisa, mas eu devo? Se acho uma imbecilidade, não faço. O carro em que ando com mais regularidade é uma Zafira [carro da Chevrolet que já saiu de linha]. Minha esposa recentemente me pediu uma SUV. Sabe qual comprei? Um Chery Tiggo [carro chinês] de R$ 50 mil. É a metade do preço de outros SUV, mas é um ótimo carro. Eu não tenho vaidade. Para trabalhar, venho todos os dias de metrô. É mais seguro. Eu vivo pensando em ações. Então às vezes estou no carro, vem alguma coisa à cabeça e me distraio. Já cheguei a passar no farol vermelho no cruzamento das avenidas Paulista e Brigadeiro Luís Antônio. Como no metrô nunca vai acontecer isso, mudei meu hábito. Gasto só com o que é necessário. Moro em uma excelente casa. Quando quero ir a uma churrascaria, vou ao Fogo de Chão.

PGBL e VGBL são conto do vigário

Com um fundo de previdência, as pessoas não conseguem enriquecer. Você já ouviu falar do Montepio da Família Militar? Era um fundo de previdência que quebrou [em 1986, deixando milhares de poupadores na mão]. Mesmo que não quebre, esses fundos tiram tanto em taxas cobradas dos poupadores que não dá o resultado esperado. Você já tentou comprar um PGBL ou VGBL? É um conto do vigário. Fiz um e coloquei R$ 100 por mês durante cinco anos. Quando fui resgatar, havia perdido 40%.

Renda fixa

Se você anotar todos seus gastos no começo e no final do ano e comparar o aumento com o que a renda fixa lhe paga, vai ver que sempre está perdendo poder aquisitivo. Aplicar na renda fixa rende menos que sua inflação. Renda fixa é perda fixa. Eu aplicava nisso quando dava 20% ao dia. Hoje vejo que a população ficou seduzida pelos retornos daquele período de inflação galopante e juros altos. O governo não incentivou a criação de investidores, criou um bando de agiotas que emprestam dinheiro ao banco e recebem pouco.

Poupança

A gente é muito atrasado na cultura de investimentos. O brasileiro foi acarneirado. Nas décadas de 1960 e 1970, havia propagandas de bancos na TV chamando as pessoas para investir na caderneta de poupança. Na época, o próprio governo incentivava isso porque precisava desse dinheiro para se financiar. As pessoas ainda acham que poupança é garantido e não tem risco. Mas, se o banco quebrar, o cidadão só recebe de volta R$ 250 mil. Como os mais jovens começaram a perceber isso, a isca mudou. Agora a cama de gato é para os garotinhos. O banco dá à criançada um bonequinho [os “poupançudos” da Caixa Econômica Federal] se o pai abrir uma caderneta. Nunca ninguém diz para você comprar ações e ficar rico.

Imóveis

Comprar um apartamento na planta e vender depois de seis meses não é investimento, é especulação. Se der sorte de comprar um imóvel e pegar um ciclo bom da economia ou então for construída uma estação de metrô ou um shopping na região, haverá uma valorização. Mas também pode dar errado. Não tem liquidez e não dá para se desfazer de só uma parte do investimento como na bolsa. Sem a inflação, os imóveis perderam o charme. O Poder Judiciário demora para ordenar o despejo de alguém que não paga aluguel. E as prefeituras podem tirar receitas do dono do imóvel. Elas jogam o valor venal do imóvel lá para cima para cobrar mais IPTU.

Fonte: Infomoney

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Diferentemente do megainvestidor George Soros, o magnata do mercado acionário, Warren Buffett sempre deixou clara sua posição contrária sobre investir em ouro. Compartilhando da mesma opinião, o colunista do site Market Watch, Jeff Reeves, aponta as causas dessa aversão com algumas frases ditas pelo oráculo de Omaha.

 “(O ouro) é cavado nas terras da África, ou em outro lugar. Então nós o derretemos, cavamos outro buraco, os enterramos novamente e pagamos uma pessoa para ficar em volta guardando-o. Não tem nenhuma utilidade. Qualquer um assistindo de Marte estaria coçando a cabeça”, defendeu Buffett em 1998 em um discurso na Universidade de Harvard.

Com isso, o investidor passa a mensagem de que o ouro não tem uso, somente um valor arbitrário que é definido por nós mesmos. Sendo assim, Reves aponta que o fato do ouro ser raro não significa que ele valha como um investimento, ainda mais para alguém que assim como Warren Buffett está preocupado com estatísticas, como o valor contábil e o fluxo de caixa de empresas.

Entrevistas

O mesmo posicionamento foi reforçado em 2009, quando a rede televisiva CNBC lhe perguntou onde o metal precioso estaria em 5 anos e se ele deveria ser parte de um investimento de valor.

“Eu não tenho ideia de onde ele vai estar, mas o que eu posso te dizer é que ele não vai fazer nada entre agora e depois, exceto olhar para você. Considerando que a Coca-Cola terá feito dinheiro, e a Wells Fargo terá feito muito dinheiro, e terá muito – e é muito mesmo –, é melhor ter um ganso que continue botando ovos do que um ganso que apenas senta e come o seguro, a armazenagem e algumas coisas desse tipo”, critica o megainvestidor.

Desde então, o ouro que estava a US$ 900 a onça troy, teve uma valorização de 45%, enquanto as ações da Coca-Cola e do banco Wells Fargo subiram 100% e 200%, respectivamente, sem incluir os dividendos.

O colunista ainda aponta outra frase dita por Buffett em 2010 ao comentarista econômico Ben Stein. “Você pode ter todo o ouro que já foi extraído e que iria preencher um cubo de 67 pés em todas as direções. Pelo preço atual do ouro, você também poderia comprar – não algumas – todas as terras agrícolas dos Estados Unidos. Além disso, você poderia comprar 10 Exxon Mobils e ter mais um US$ 1 trilhão em sua conta. Ou você poderia ter um grande cubo de metal. Qual você escolheria? Qual vai produzir mais valor?”.

Coincidentemente, nesta semana o ouro voltou para o mesmo patamar que estava quando a entrevista foi realizada, em torno de US$ 1,350 a onça troy. Enquanto isso, as ações da Exxon Mobils já subiram 35%, sem contar os dividendos, e as terras agrícolas continuam crescendo em um ritmo rápido.

E como não é possível prever quais serão os próximos passos do preço do ouro, Reeves se mantém cético com o metal e afirma que Buffett vai continuar sentado na corrida pelo ouro.

Fonte: Infomoney

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O mago dos investimentos conta como ganhar nas bolsas depois de Buffet e Soros

Laura Somoggi, de Marblehead (EUA)

É muito provável que o nome Peter Lynch não lhe seja familiar. Ele não costuma freqüentar as páginas de revistas e jornais brasileiros como acontece com os investidores George Soros ou Warren Buffet. Mas saiba que esse americano também está na lista dos magos dos investimentos nos Estados Unidos e, como tal, tem muito a ensinar sobre o assunto. Durante 13 anos, ele foi o responsável pela administração do fundo de ações mais rentável do mundo no período, o Fidelity Magellan Fund. Entre maio de 1977 e maio de 1990, o Magellan valorizou 2.900%. Quando começou a administrá-lo, o patrimônio do fundo era de US$ 20 milhões. No final, já eram US$ 14 bilhões e mais de um milhão de cotistas. Depois, tendo o próprio Lynch como o principal garoto-propaganda, a Fidelity tornou-se a maior empresa de administração de fundos dos Estados Unidos. Em abril último, seus 292 fundos somavam um patrimônio de US$ 952,5 bilhões. A empresa presta serviços financeiros a mais de 15 milhões de pessoas e emprega mais de 30 mil funcionários. Apesar de nunca ter atuado no mercado brasileiro, a experiência de Lynch deve ser ouvida. Foi isso o que a DINHEIRO fez ao entrevistá-lo na sua casa em Marblehead, uma cidade litorânea a 25 quilômetros de Boston, sede da Fidelity.

DINHEIRO – Qual é o segredo para escolher boas ações?
PETER LYNCH –
Você deve, antes de tudo, entender o que a empresa faz, qual é a sua natureza. A maioria das pessoas vê o investimento em ações como um jogo. O que é preciso ter em mente é que se a empresa vai bem, suas ações irão bem. Não é cassino. Não é para pensar nos próximos dias ou nas próximas semanas. Pergunte-se: por que essa empresa vai estar melhor daqui a cinco anos? Se ela vai bem, veja se ela tem condições de continuar bem.

DINHEIRO – O que os investidores devem analisar numa empresa antes de investir nela?
LYNCH –
As pessoas devem se especializar, tentar descobrir que tipo de mercado entendem mais. Você pode, por exemplo, observar 20 empresas que estejam perdendo dinheiro. Veja qual delas pode reverter a situação. E aí você compra as suas ações. Ou então escolha as áreas que você entende melhor.

DINHEIRO – No Brasil, ainda não temos a cultura de investir no mercado acionário; qual a melhor forma de começar?
LYNCH –
O que vai fazer com que o mercado acionário brasileiro tenha um bom desempenho nos próximos 10, 20 ou 30 anos é o bom desempenho das empresas brasileiras. Então, antes de qualquer coisa é preciso ver se você acredita no País. Nos Estados Unidos, por exemplo, nós passamos por nove recessões desde a Segunda Guerra. O Brasil está crescendo rápido. Há um grande potencial de valorização. Mas é preciso separar uma parte do dinheiro que você não vai precisar em, no mínimo, um ano. Se você precisar do dinheiro nesse período, nem pense em entrar no mercado acionário. Pense em daqui a 5, 10, 15 anos. Lembre-se de que o tempo trabalha a seu favor quando você investe em ações. Quem poderia imaginar os problemas com a Rússia, com a Ásia, ou mesmo a desvalorização no Brasil? Todos afetaram muito o Brasil. Por isso, pensar em investir por menos de um ano é um grande erro.

DINHEIRO – O problema é que no Brasil, as taxas de juro ainda estão muito altas. Assim as pessoas não se sentem motivadas a investir e correr riscos.
LYNCH –
Nos EUA, em 1982, as taxas de juro eram de 20% ao ano. E aquele era o momento exato de comprar ações. Porque todos esperavam uma reviravolta na economia. Quem aplicou na época, viu seu dinheiro crescer 10, 15 vezes. Se você tem aversão ao risco, uma inflação de 5% ou 6% e juros de 18% vão lhe desanimar. Em geral, no longo prazo, é melhor investir em ações do que em renda fixa. Se você pensar em grandes períodos, não há problema em comprar papéis mesmo com altas taxas de inflação e de juros.

DINHEIRO – Outro aspecto importante sobre a bolsa brasileira é que ela é muito concentrada em poucos papéis…
LYNCH –
Mas acredito que no futuro mais empresas brasileiras terão seus papéis negociados em bolsa. Nos próximos 10, 20 anos, surgirão boas oportunidades para quem quiser investir diretamente em companhias ou por meio de fundos de investimento.

DINHEIRO – Como saber qual é a hora certa de comprar ou vender ações?
LYNCH –
Isso depende do tipo de empresa na qual você está investindo. Se você acredita que a empresa tem potencial de crescimento. Verifique qual a sua fatia do mercado e quais são as perspectivas para o futuro. É melhor comprar ações de uma empresa com 100 lojas e não uma com 650 lojas, se o mercado só comporta 700. Invista numa companhia real e que tenha possibilidades de crescer. Olhe o balanço, analise sua consistência financeira.

DINHEIRO – E como usar esses fundamentos na empresas de Internet?
LYNCH –
No final de cada dia, mesmo as empresas de Internet devem ter vendido alguma coisa e devem ter tido algum lucro. Ou então analise qual é o seu potencial para os próximos dez anos. É difícil ver os custos agora, pois elas estão gastando todo o seu dinheiro em publicidade, em pessoal, em marketing, para desenvolver negócios, parcerias etc. Mas e daqui a 5 anos? E daqui a 10? Como estarão as vendas? Se você não tiver como projetar receitas e lucros, é melhor apostar no número 23 ou no número 28 num cassino.

DINHEIRO – O mercado de papéis de Internet está sobrevalorizado?
LYNCH –
Nunca faço esse tipo de análise. Não fico tentando adivinhar quando o mercado vai cair. Eu adoraria saber. As pessoas diziam que o Dow Jones estava sobrevalorizado quando bateu os 2.000 pontos, os 4.000, os 6.000, os 8.000, os 10.000. E quando o mercado cai, todas dizem que estavam certas.

DINHEIRO – Se o sr. ainda administrasse fundos de investimento, compraria ações de empresas de Internet?
LYNCH –
Eu faria muita pesquisa. Talvez haja áreas ainda melhores do que a Internet. Veja o exemplo das empresas que produzem aqueles leitores de códigos de barra usados nos supermercados. Elas foram criadas há 25 anos. Quem mais se beneficiou dessa tecnologia não foram as empresas que produziam os leitores, e sim os supermercados que os utilizavam. As pessoas começaram a passar mais rápido pelos caixas, o índice de erros diminuiu, o controle dos estoques melhorou. Assim, pode ser que muitas empresas ou alguma indústria vão se beneficiar com a Internet. E não serão necessariamente as empresas pontocom. Eu acho que a Internet está sendo sobrevalorizada. Os aviões mudaram o mundo. Muita gente ganhou muito dinheiro. Mas muitas empresas aéreas perderam muito dinheiro, faliram. A Internet vai ser maior do que a indústria de empresas aéreas?

DINHEIRO – Por que o sr. costuma dizer que investir está mais relacionado ao estômago do que ao cérebro?
LYNCH –
Quando as pessoas vão comprar uma geladeira elas são muito racionais. Elas passam horas procurando, comparam preços, e fazem de tudo para economizar 12 dólares. Quando vão comprar uma ação, não fazem nenhuma pesquisa. Depois, ouvem que haverá recessão na Ásia e ficam nervosos. É preciso ter um estômago forte para isso.

DINHEIRO – É preciso tomar mais cuidado quando fazemos investimentos pela Internet, nas corretoras virtuais?
LYNCH –
Em primeiro lugar, se você está lidando com dinheiro, precisa saber para onde está mandando. O ponto é: você está realmente investindo ou está jogando? Não é para chegar às quatro da tarde e dizer: “São quatro da tarde e eu ainda não comprei nenhuma ação”. Não há dúvida de que a Internet é rápida para comprar e vender ações. Mas quem se importa se ela é doze minutos mais rápida?

DINHEIRO – O sr. acha que o investidor médio tem condições de acompanhar tão de perto o desempenho das empresas?
LYNCH –
Não é preciso mais do que algumas horas por mês. Antes de investir, faça um teste: explique para a sua esposa, para os seus filhos ou para o seu vizinho por que comprou aqueles papéis. Você deve conseguir fazer isso em dois minutos. A justificativa não pode ser a alta da bolsa no último mês. Deve haver uma razão para você ter comprado as ações de determinada empresa. E preste atenção no que vê a sua volta. O que o supermercado está vendendo bem? Que empresa fabrica? É uma boa opção de investimento?

DINHEIRO – No mercado acionário, os pequenos investidores não estão em desvantagem em relação aos grandes?
LYNCH –
Não, se o pequeno fizer a lição de casa, se atuar como um profissional. Agir da forma que agiria se fosse comprar uma geladeira. Os pequenos podem ganhar dinheiro. Desde que façam as coisas certas.

DINHEIRO – Algum comentário especial para os investidores brasileiros?
LYNCH –
O fato de o mercado não ser maduro não é nem bom, nem ruim. Isso significa que se tudo correr bem com o País, será possível ganhar muito dinheiro no mercado acionário brasileiro. É nisso que os investidores devem pensar. Com os juros altos, você pode ganhar 18%, 19%. Mas eu prefiro fazer meu dinheiro se multiplicar por 10, por 20. E as taxas de juro tendem a cair.

Entrevista publicada no site Dinheiro na WEB, domingo dia 17 de janeiro de 2010

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/144/seudinheiro/din144_02.htm

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1. Recessões não podem ser evitadas
Em 2007, Buffett acertou ao prever que se o desemprego aumentasse muito, a economia norte-americana entraria em recessão. No entanto, afirmou que isso é normal, sendo parte da natureza do capitalismo ter recessões periódicas. Buffett disse ainda que é jovem o bastante para esperar mais seis ou sete delas – o investidor tem 81 anos.

2. Nós sobreviveremos às recessões atuais e futuras, como sobrevivemos aos problemas do passado
Lembrando que o país superou problemas da magnitude da Segunda Guerra Mundial, bomba atômica e Grande Depressão no século 20, Buffett afirmou que “vivemos em uma economia maravilhosa (…) e as pessoas vivem sete vezes melhor que a média há um século”.

3. Recessões criam oportunidades
Buffett afirma que suas melhores compras foram feitas em 1974, em uma época de pessimismo devido ao choque de petróleo. “Mas as ações estavam baratas”, lembrou o investidor.

4. Nem todas ações ficarão baratas
Comparando o mercado com um jogo de beisebol, o mega-investidor afirma que ao investir você não precisa “fugir dos arremessos” , podendo apenas “observá-los cair ou subir”. Buffett lembra que um investidor de sucesso espera a melhor ação, ao melhor preço, mas isso não acontece todos os dias.

5. A multidão cometerá erros
Citando um conselho de Benjamin Graham, investidor que morreu em 1976 e é considerado por Buffett seu mentor, afirma que estar certo ou errado não está ligado às pessoas concordarem ou não com você, mas aos fatos e razões estarem certos.

6. Investidores vão se equivocar pensando que uma queda dos preços das ações é ruim
Comparando o mercado acionário com o mercado de bens, Buffett usou a metáfora do preço de um produto – como um hamburger do McDonald’s – para dizer que um preço mais baixo deve levar o investidor a pensar eu está comprando algo mais barato hoje – e não lamentar que pagou mais caro no passado.

7. Bons tempos induzem a más decisões
Em carta aos acionistas de sua holding Berkshire Hathaway em 2000, Buffett usou a metáfora da Cinderela para explicar a lógica de quem compra muito quando os preços estão altos – na sua visão, investidores que continuam especulando em companhias que têm valuations muito acima do que seu caixa projeta para o futuro, e não conseguem “perder um minuto da festa”.

8. Haverá outra “festa selvagem, seguida de outra ressaca dolorosa”
Analisando a bolha da internet, Buffet avalia que o mundo ficou louco e “o que aprendemos com a história é que as pessoas não aprendem com a história”.

 Fonte: Infomoney

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Soyez craintifs quand les autres sont avides, soyez avides quand les autres sont craintifs.” Cet adage boursier, Warren Buffett, l’homme d’affaires américain multimilliardaire de 79 ans et star de Wall Street le respecte depuis toujours à la lettre.

En 2000, le “papy” de la finance était d’ailleurs resté parfaitement indifférent à l’euphorie générale autour des valeurs Internet, figurant ainsi parmi les rares investisseurs épargnés par l’éclatement de la bulle. Aujourd’hui, M. Buffett annonce au contraire des investissements en pagaille : quelques millions de dollars dans Wal-Mart, dans Exxon, et même plusieurs milliards dans une compagnie de chemin de fer. Au moment même où le marché s’inquiète.

L’évolution des indices à Paris, Londres, New York et Tokyo observée entre le lundi 16 et le vendredi 20 novembre, témoigne en effet de la frilosité et des hésitations des investisseurs. Sur la période, le CAC 40 a cédé 2,01 %, retombant à 3 729,36 points… un niveau de mars 1998. Le Footsie de Londres a lui reculé de 0,85 %, quand le S & P 500 aux Etats-Unis et le Nikkei au Japon cédaient respectivement 0,19 % et 2,79 %.

Le “papy de la finance”, aura-t-il raison contre la foule des investisseurs ? “Warren Buffett s’est parfois trompé “, prévient Jean-Louis Mourier, analyste chez Aurel BGC. De fait, pour la plupart des experts, les hésitations du marché ne sont pas absurdes, loin de là. Car si la reprise de l’économie mondiale est maintenant acquise, il y a beaucoup de “mais” à ajouter. Le premier est que cette reprise sera molle.

Jeudi 19 novembre, les prévisions de l’Organisation de coopération et de développement économiques (OCDE) ont confirmé que les trente pays de l’organisation sortiront de la récession en 2009, mais avec une croissance réduite à 1,9 % en 2010. La reprise sera “modeste” et soumise à de “fortes” incertitudes, a prévenu l’organisation.

Les statistiques de mises en chantier aux Etats-Unis, en net recul sur le mois d’octobre (- 10,9 %) indicateur clé, ont aussi illustré cette semaine l’aspect chaotique de la reprise. A Londres, c’est la banque spécialisée dans le crédit immobilier Nationwide, qui a refroidi les investisseurs sur le même sujet, en disant s’attendre à une importante rechute des prix de l’immobilier en 2010.

Pour les autres secteurs de l’économie, les dirigeants d’entreprise ne sont guère plus enthousiasmants. Le groupe agroalimentaire Danone a indiqué mercredi que les effets de la crise, la hausse du chômage et la réduction progressive des aides à l’économie, allaient peser sur les dépenses de consommation. Et aux Etats-Unis, l’éditeur de logiciels d’entreprise Autodesk et Salesforce.com ont fait état de résultats décevants, montrant que la reprise de l’industrie technologique n’était pas franchement explosive.

Quant à ceux qui croient néanmoins à une reprise franche et massive, ils ont aussi des motifs d’inquiétude. Les politiques budgétaires et monétaires d’après-crise sauront-elles gérer la transition ?

“Il y a un risque de gâcher la reprise”, alerte Marc Touati, directeur des études économiques chez Global Equities. De fait, la croissance va s’accompagner mécaniquement d’une reprise de l’inflation. M. Touati redoute alors de voir resurgir la Banque centrale européenne. Réputé pour son obsession à contenir la hausse des prix, l’institut monétaire pourrait décider d’une remontée des taux d’intérêt directeurs. Or, l’opération sera forcément mal accueillie par le marché, car elle contribue à renchérir le coût des crédits, et bride la croissance.

Bref, après s’être en peu emballés en voyant l’économie mondiale sortir du tunnel – les marchés en Europe et aux Etats-Unis ont gagné 50 % depuis mars – “les investisseurs sont un peu perdus”, commente Vincent Juvyns, spécialiste des investissements chez ING IM.

Pour autant, il n’y a pas lieu de crier à la catastrophe. Selon lui, le CAC 40 a encore une bonne marge de progression, et pourrait atteindre 4 500 points en 2010. Doucement et avec des yo-yo réguliers, mais tout de même. Certains experts croient notamment au potentiel des valeurs de l’énergie verte, des technologies de l’information ou des valeurs du secteur des télécommunications, peu spéculatives mais offrant un bon rendement.

Autrement dit, M. Buffett a peut-être bien raison d’acheter dès maintenant, avant tout le monde. “Le but est de découvrir des compagnies extraordinaires à des prix ordinaires, et non des compagnies ordinaires à des prix extraordinaires”, se plaît d’ailleurs à rappeler le septuagénaire.

Claire Gatinois

Fonte: Le Monde

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Em sua carta anual para os acionistas da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, CEO (Chieff Executive Officer) da empresa, afirmou que a economia dos EUA continuará em dificuldades neste ano, porém disse que melhores dias estão por vir para o país.

Para aproveitar as oportunidades trazidas com a crise, Buffett disse ainda que passará esse período de recessão buscando novos investimentos para a sua empresa. “Nós apreciamos essas quedas de preço se tivermos fundos disponíveis para investir“, disse ele.

De acordo com os dados da Berkshire Hathaway, o ano de 2008 foi encerrado com quase US$ 25,5 bilhões em caixa, menos do que os US$ 33,4 bilhões no terceiro trimestre. A empresa fechou os últimos três meses com um lucro de US$ 117 milhões, 96% a menos do que o anterior.

Economia em desordem

“A economia estará em desordem durante 2009 – e provavelmente, até além. Apesar do caminho não ter sido suave, nosso sistema econômico tem funcionado extremamente bem no decorrer do tempo. Ele despertou o potencial humano como nenhum outro, e continuará a fazer o mesmo”, afirmou Buffett.

Sobre suas operações, o mega-investidor disse que gostaria de ter mantido a sua participação na Johnson & Johnson, na Conoco Phillips e na Procter&Gamble, que foi desfeita no final do ano passado para financiar os acordos privados com o Goldman Sachs e com a General Electric.

Ele ainda confessou ter cometido alguns erros durante o último ano, como sendo um dos “maiores” a aquisição de ações da Conoco Phillips quando o preço do barril de petróleo estava perto do seu pico. Um outro deslize importante, em sua opinião, foi a compra de papéis de bancos irlandeses, pelos quais foram pagos US$ 244 milhões.

Fonte: http://www.infomoney.com.br/

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